9 Dicas para o Regresso à Escola com Alergia Alimentar

setembro 07, 2020

9 Dicas para o Regresso à Escola com Alergia Alimentar

O regresso às aulas este ano será com certeza diferente devido à Pandemia de Covid-19 que estamos a atravessar. Para quem tem filhos com alergia alimentar o início das aulas requer sempre um pouco mais de preparação, para garantir a sua segurança e prevenir a ocorrência de reações.

Partilhamos, por isso, uma lista de 9 Dicas para o Regresso à Escola com Alergia Alimentar, para que não se esqueça dos pontos mais importantes.

  1. Prepare os Documentos Médicos

Certifique-se que tem consigo um atestado médico que identifique as alergias do seu filho e que indique quais os medicamentos que deve trazer consigo e como/quando deve tomá-los. As escolas não estão autorizadas a administrar medicamentos sem ordem médica, por isso, se possível, junte também uma cópia das receitas e de todos os documentos médicos que possam ser relevantes.

Deverá ter também um Plano de Emergência que descreva os procedimentos em caso de suspeita de reação alérgica ou contacto com o alergénio, discriminando sintomas e medicamento(s) a administrar em caso de reação alérgica/anafilaxia e contactos de emergência. Na maioria dos casos, este documento é passado pelo médico Imunoalergologista que segue o paciente, mas caso o seu médico não tenha disponibilizado, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) disponibiliza no seu site dois Planos de Emergência em Anafilaxia que mostram também como utilizar os autoinjetores de adrenalina conforme a marca.

  1. Prepare o Kit com Medicação de Emergência

Antes do regresso às aulas, verifique se a medicação de emergência antihistamínico, corticoide e adrenalina estão dentro da validade e substitua-os se necessário. Caso a validade termine antes do final do ano letivo, coloque um alerta no seu telemóvel para se lembrar de repor a medicação nessa altura.

Junto do Kit de Medicação tenha sempre uma cópia do Plano de Emergência e contactos de emergência atualizados.

É importante colocar toda a medicação e documentos dentro de uma bolsa que os proteja e que seja fácil de identificar em caso de SOS. Se andar na mochila poderá ser necessário usar uma bolsa térmica para evitar variações de temperatura que podem danificar os medicamentos.

  1. Agende Reuniões com a Escola

Se se tratar de uma escola que a criança vai frequentar pela primeira vez é fundamental agendar uma reunião com a escola para dar a conhecer a situação da criança, perceber se já há procedimentos na escola predefinidos para lidar com situações de alergia alimentar, qual é a sensibilidade/nível de conhecimento acerca destas questões, que informação adicional poderá fornecer para que o seu filho esteja mais protegido.

Se for um novo ano letivo numa escola que já frequentava anteriormente, reúna com a direção para relembrar os cuidados a ter, confirmar se houve alteração de pessoal que lide diretamente com a criança e que necessite de ser esclarecido sobre a sua situação.

Se possível, tente envolver nessa reunião todos os elementos da escola que irão ser responsáveis pela criança durante o ano letivo, desde a direção, professores, auxiliares e serviço de alimentação (caso a criança coma na escola). Quantos mais elementos estiverem informados dos riscos, precauções necessárias e como atuar em caso de emergência, mais segura estará a criança.

Se a criança fizer as refeições na escola, é recomendado conversar com os responsáveis para confirmar se estão atentos para questões como a prevenção de contaminações cruzadas, e se estão preparados para fornecer alternativas seguras adequadas à(s) alergia(s) em questão, ou se será necessário trazer alimentos e/ou utensílios de casa.

Deve fornecer informação suficiente ao professor para prepará-lo para evitar uma reação alérgica, reconhecer uma situação de emergência caso ela ocorra e para atuar de forma atempada e apropriada em caso de reação.

Se a criança fizer alergia por contacto e/ou inalação, é importante alertar para a presença de alergénios escondidos em materiais escolares e confirmar se os materiais usados pela escola são seguros. Por exemplo, lápis de cera, plasticinas, tintas, giz, cola ou balões podem conter alergénios como proteína do leite e trigo.

Documentos a entregar na escola:

- Cópia de todos os documentos médicos relevantes: atestado médico, plano de emergência, receitas médicas,

- Listagem de alimentos proibidos e alimentos que podem conter o(s) alergénio(s) em questão, listagem de materiais escolares que podem conter o(s) alergénio(s).

- Outras informações relevantes acerca das alergias alimentares, contaminações cruzadas, etc., dependendo do nível de conhecimento e preparação da escola para estas situações.

Pode encontrar no nosso blog nos artigos sobre cada um dos principais alergénios,  uma listagem de alimentos que contêm ou podem conter: trigo, ovo, leite, soja, frutos de casca rija, amendoins, sulfitos, sésamo, tremoço, aipo, mostarda, marisco.

  1. Lembre-se da identificação

Para além a identificação habitual de todo o material escolar e outros pertences com o nome da criança, é importante que a identificação da alergia esteja bem visível para relembrar professores e auxiliares dos cuidados a ter. Poderá optar pelo uso de pulseiras de identificação de alergias, etiquetas na mochila e/ou lancheira com identificação da alergia e de que é portador de Kit de Emergência em caso de Anafilaxia.

Caso leve de casa copos e utensílios para a refeição da criança também é importante que estejam bem identificados, para não haver risco de trocas.

  1. Ajude a planear a inclusão em atividades escolares

É importante sensibilizar a escola e o(s) professor(es) para que seja garantida a inclusão da criança nas atividades escolares, sejam elas curriculares, extracurriculares ou de laser.

Peça para ser informada previamente de qualquer atividade que possa incluir o(s) alergénio(s) alimentar(es) para que consiga ajudar a encontrar uma alternativa segura e a criança possa também participar.

Se, por exemplo, estão a preparar uma atividade de culinária, peça para que lhe indiquem os ingredientes e marcas que vão utilizar para confirmar que não há riscos da presença de alergénios.

Se estão a preparar uma atividade de trabalhos manuais com materiais reutilizados que possam ter estado em contacto com o alergénio (p. e., caixas de ovos, pacotes de leite) peça para ser avisada para que possa fornecer materiais seguros para o seu filho participar em segurança.

Peça para ser avisada com antecedência de festas de aniversário ou outras excecionais em que haja presença de comida com o(s) alergénio(s), para que possa levar de casa ou sugerir uma alternativa segura. Os Preparados para Bolos Fidu podem dar uma ajuda nestes casos, pois são soluções fáceis, rápidas e seguras.

  1. Prepare a mochila com medicação e alimentos essenciais

Na mochila trazer sempre o Kit de Medicação de Emergência com toda a informação necessária e alimentos seguros e suficientes para as necessidades diárias da criança.

  1. Ensine a criança a lidar com a sua alergia alimentar

Dependendo da idade e grau de desenvolvimento da criança, é importante que ela entenda a sua condição e que vá aprendendo a se proteger. Fale com o seu filho e explique-lhe que tem uma alergia, o que a provoca e quais as consequências caso contacte com o alergénio.

Por exemplo, ensine-o a nunca comer nada que não tenha sido dado pelos pais, a perguntar se tem o alergénio antes de comer, a não aceitar alimentos partilhados pelos colegas principalmente se não vier embalado e não houver maneira de confirmar a sua segurança, a alertar os adultos responsáveis (professor/auxiliar) caso sinta algum sintoma.

  1. Envolva-se nas atividades escolares

Se possível, considere envolver-se na associação de pais ou voluntariar-se para ajudar a organizar atividades que requeiram o envolvimento dos pais, dessa forma poderá também passar a mensagem para os outros pais e certificar-se que o seu filho é incluído e acolhido com segurança.

  1. Tenha atenção a algumas situações condicionadas pelas regras de prevenção do COVID-19

Algumas das regras implementadas nas escolas para prevenir a infeção por COVID-19 podem ser benéficas para prevenir reações alérgicas, por exemplo: lavar as mãos com frequência (atenção que apenas a lavagem com água e sabão é eficaz para eliminar o alergénio, as soluções desinfetantes não “matam” o alergénio, apenas são eficazes contra o vírus); e não partilhar alimentos, bebidas e utensílios.

Por outro lado, o uso de máscara pode esconder alguns sintomas de reação alérgica, principalmente os que se manifestam à volta da boca, como vermelhidão, inchaço, comichão. É por isso necessário que a criança esteja mais atenta aos seus sintomas e alerte um adulto logo que os sinta.

 

 



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