Intolerância à Lactose

June 30, 2020

Intolerância à Lactose

A intolerância à lactose é um dos distúrbios alimentares que mais afeta a população mundial, apesar de não ser uma alergia, pode muitas das vezes originar sintomas semelhantes e causar dúvidas no diagnóstico. Consiste numa desordem da mucosa intestinal que impossibilita a digestão e absorção da lactose, devido à baixa atividade ou baixa produção da enzima lactase.
Cerca de 70% da população adulta mundial não produz lactase suficiente, tendo por isso algum grau de intolerância à lactose, embora sejam na sua maioria assintomáticos. (1, 2)

O que é a lactose
A lactose é o açúcar presente no leite de mamíferos. É uma molécula grande demais para atravessar a membrana intestinal, pelo que necessita da presença da enzima lactase para ser transformada nos seus componentes mais simples, glicose e galactose, e ser finalmente absorvida.
Se a atividade da enzima lactase for baixa ou ausente, a lactose não digerida que permanece no intestino pode induzir os sintomas de intolerância à lactose. (2)

Tipos de intolerância à lactose
O termo descritivo “intolerância à lactose” inclui todas as causas de intolerância sintomática à lactose (açúcar do leite), não devendo ser confundida com alergia a proteínas do leite. Indivíduos com galactosemia, um distúrbio genético do metabolismo da galactose, também não toleram a lactose, mas seus sintomas são mais graves e diferentes dos provocados pela intolerância à lactose. Esses pacientes não precisam apenas evitar a lactose, mas também a galactose. (2)


A intolerância à Lactose, que pode ser devida a:

a) Hipolactasia congénita/Alactasia
A alactasia hereditária é uma condição rara na qual a lactase está completamente ausente desde o nascimento, devido a uma mutação genética. Não há produção de enzima lactase e por isso o intestino é incapaz de digerir a lactose. A maioria dos casos diagnosticados têm origem na Finlândia e países nórdicos. É uma patologia incurável, em que deve ser feita toda a vida uma dieta isenta de lactose. (3)
b) Hipolactasia primária tipo adulto (HPTA)/adquirida
A hipolactásia primária ou deficiência de lactase no adulto, também chamada de lactase não persistente (LNP), é um fenómeno regulado geneticamente no qual ocorre uma diminuição progressiva da atividade da enzima lactase ao longo do desenvolvimento. A redução de atividade pode ocorrer logo após o desmame, por volta dos 2 a 3 anos de idade, ou mais próxima da adolescência, atingindo cerca de um décimo ou menos do nível infantil.
É a forma mais frequente de intolerância a lactose, afetando cerca de 70% da população mundial, com variações geográficas e étnicas. É uma patologia progressiva e incurável, em que deve ser controlada a ingestão de lactose. (2, 3)
c) Hipolactasia secundária
A hipolactasia ou deficiência secundária de lactase está normalmente associada a doenças do intestino delgado que provocam danos no epitélio intestinal, levando à má digestão da lactose em diferentes graus.
Doenças como gastroenterite aguda, doença celíaca não tratada, inflamação intestinal crônica e tratamentos de quimioterapia podem provocar intolerância à lactose. No entanto, quando o epitélio cura, a atividade da enzima lactase é recuperada. (2, 3)

Sintomas
A intolerância à lactose origina sintomas digestivos como sensação de má digestão, barriga inchada, vómitos, cólicas abdominais e diarreia, com consequente desidratação e perda de peso. Em alguns casos, pode também originar dores de cabeça, náuseas e vertigens. (3, 4)
Os sintomas podem variar com a quantidade e frequência de lactose ingerida. Aparecem lentamente entre 30 minutos a 2 horas após a ingestão, podendo prolongar-se por várias horas ou dias. (3)

Tratamento
O tratamento primário de uma intolerância a lactose é a redução da ingestão de alimentos que contêm lactose, nomeadamente leite e derivados, de acordo com o grau de tolerância do indivíduo (4). Em casos mais graves, pode ser necessário uma dieta mais rigorosa totalmente isenta de lactose, nomeadamente na alactasia ou hipolactásia congénita.
Quando se trata de uma hipolactásia secundária, provocada por doença intestinal, a dieta de exclusão de lactose poderá ser temporária entre 15 dias a 3 meses, dependendo da gravidade da doença e da idade do doente. (3)
Em qualquer um dos casos, é recomendada uma avaliação e acompanhamento médico para determinar qual o grau de tolerância e qual o nível de restrição alimentar necessária.
Para saber quais os alimentos que têm ou podem conter lactose, consulte o artigo Alergénio: Leite

Os produtos Fidu não contêm lactose nem nenhum ingrediente derivado do leite. Também não manipulamos nas nossas instalações leite nem derivados, garantindo dessa forma, que não há contaminações cruzadas por vestígios e que os nossos produtos são seguros até para os mais sensíveis.

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(1) Vieira, R. (2015). Alergénios Alimentares: Um estudo sinóptico. Universidade Nova de Lisboa.
(2) NDA (2010). Scientific Opinion on lactose thresholds in lactose intolerance and galactosaemia. EFSA Journal, 8(9).
(3) García, P.B. (2016). Intolerancia a la lactosa. Problemática y Alimentación. Universidad de Salamanca.
(4) Grupo de Interesse de Alergia a Alimentos da SPAIC, 2019. Alergia Alimentar: conceitos e conselhos e precauções, 2ª Edição. Lisboa: Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica com apoio da Thermo Fisher Scientific e Laboratórios BIAL.



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